"Há certas frases que se iluminam pelo opaco."

(Manoel de Barros)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

por nada.

Ela queria o mundo. E o mundo era uma estreita faixa de areia, do outro lado do oceano. "Nadar", pensou.

E nadou.
Nadou em frente, nadou em círculos, nadou de volta. E nada.

Nadou para o horizonte. E alguém chega no horizonte? Quando se pensa que chegou, ele muda de lugar e se coloca cada vez mais longe.
Nadar para o horizonte é nadar para o nada. E nada.

Alcançou o mundo. E descobriu que ele não era seu. Nada era seu, nada a pertencia.
Então, nada. Nada de volta.

E nadou.
Nada, nada, sentiu um gosto amargo misturar-se à água do mar. Eram lágrimas amargas, era um sentimento amargo. Nadara por nada.

Um comentário:

caio disse...

O que eu quero é mais compasso. Quero um pouco mais do que esses míseros passos.
Nesse mundão do lado de cá do oceano, o que eu quero é deveras escasso.
De que valem esses passos se n'água nada faço?

Você veio até aqui e meu descaso te deixou fugir do laço
E mais uma vez meus passos se tornam traços na areia que as ondas vêm e levam para o esquecimnto.

Esses míseros passos... que n'água nada fazem

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