"Há certas frases que se iluminam pelo opaco."

(Manoel de Barros)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eterno enquanto durou

Sensação de vazio, de olhar para o nada, "e agora?"... Abandono. Acabou, acabou mesmo.

Terminar um livro é tão doloroso quanto terminar um namoro. E que me perdoem os namorados
.
Às vezes, ao longo da leitura, a história se torna enfadonha, maçante e só é levada adiante por teimosia ou obrigação. Namoros, idem. E em ambos os casos, o término é quase um ritual de libertação, e pode trazer uma grande sensação de alívio (querida Lucíola, acredite, foi um grande prazer me livrar de você).


Por outro lado, alguns livros nos dão mais do que boas histórias. Os personagens, pouco a pouco, vão saindo das páginas, e antes da metade do livro já se tornaram amigos, companheiros de viagens de ônibus, salas de espera e noites em claro. Por algumas semanas, são a companhia que nunca vai faltar. Assumo, me apego demais a bons personagens - e a maus também, de vez em quando.


Acompanho suas ações, suas vidas, choro junto, rio junto, aprendo com eles. E de repente, o livro acaba. Assim acaba e ponto final. Não há mais o que ler. E agora?


Perder a companhia que por tantos dias foi certa, muitas vezes a única. Não adianta inventar um novo final, adiar o fim da leitura, ou implorar ao narrador que não pare de contar - a essa altura, ele também já se foi. Não tem volta.


O jeito é esperar, que em breve um novo livro, talvez com personagens ainda melhores, há de aparecer pelo caminho - exatamente como nos namoros...


Gabi está sofrendo de "depressão pós-livro". Respeitem :(

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