"Há certas frases que se iluminam pelo opaco."

(Manoel de Barros)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Rumo ao Infinito


Ao fechar os olhos, tudo o que vejo são pedaços de alma. Sozinha, tentando esquecer do que já não lembro mais... Abro os olhos, e estou a anos-luz de onde estava no segundo anterior. Não reconheço mais nada, a não ser o vento gelado que sopra com força, me trazendo vida e histórias: o que você me conta, vento amigo?
 
   "Trago histórias do mar", foi o que ele disse. "Histórias de tantos que se perderam na imensidão azul do Atlântico, que se encantaram por seus mistérios e jamais voltaram. Sabe, minha pequena, por mais que a humanidade almeje o progresso e a evolução constante, certas coisas não podem ser vencidas: o mar é uma delas. Olhe para o alto, e me diga, o que vês?"

O brilho intenso que vinha do céu por um instante não me permitiu ver coisa alguma; mas logo fui capaz de reconhecê-la: entre milhões de estrelas coloridas, estava Carina, a quilha do navio Argo que reinava absoluta, infinita em si mesma. Me senti diminuída, incapaz diante de sua grandeza, mas o Vento logo tratou de me consolar.


"Por que choras, minha pequena? Não te encantas o brilho intenso que vem do alto?
Olhe com atenção a beleza que te cerca, o mar azul a bater nas pedras, as estrelas pontilhando o céu de luz... Não chores mais, pequena. Apenas faça o que queres fazer."



Dito isto, senti um arrepio percorrer todo o meu corpo. Era o vento me abraçando, me autorizando. "Faça o que queres fazer". Queria ir ao encontro do brilho de Carina, e de alguma maneira, descobri como fazê-lo. Enxuguei as últimas lágrimas que teimavam em escorrer pelo meu rosto e, feito isso, sorri. Sorri meu maior e mais sincero sorriso. O último sorriso. Meu coração batia com força, quase fora de mim. Um passo a frente, mais um... Um giro, e tudo muda de lugar.

O céu já não iluminava mais nada. A única luz vinha de mim, incandescente, um brilho colorido que jamais soube que existia. Carina, a constelação que fazia com que os homens preferissem o mar à vida na terra. Eu fiz a minha escolha, e fui ao mar. Que o Vento me leve até o céu, e que eu brilhe ao lado de sua estrela Alpha.



"Correr pelo céu, nas estrelas tocar!
Vai ser bem melhor..."

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