"Há certas frases que se iluminam pelo opaco."

(Manoel de Barros)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eterno enquanto durou

Sensação de vazio, de olhar para o nada, "e agora?"... Abandono. Acabou, acabou mesmo.

Terminar um livro é tão doloroso quanto terminar um namoro. E que me perdoem os namorados
.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

por nada.

Ela queria o mundo. E o mundo era uma estreita faixa de areia, do outro lado do oceano. "Nadar", pensou.

E nadou.
Nadou em frente, nadou em círculos, nadou de volta. E nada.

sábado, 27 de agosto de 2011

Quadrilha


      "João amava Teresa que amava Raimundo
      Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
      Que não amava ninguém. 
      João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, 
      Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 
      Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
      Que não tinha entrado na história."


- Muito obrigada, Pedro. E então, turma, alguma dúvida, algum comentário a respeito do texto?
- Professora!
- Sim, Tatiana...
- A Lili não amava NINGUÉM???
- Bom, é o que diz o poema.
- Então como é que ela casou com o J. Pinto Fernandes?
- Bom, provavelmente eles se conheceram depois, ela passou a amá-lo, e eles se casaram... Mais alguma coisa?
- Mas, professora! Por que ela não se casou com o Joaquim?
- Como é, Tati?
- É, ué! Se o Joaquim já amava a Lili antes dela conhecer o J. Pinto Fernandes, ela devia ter casado com ele logo! E se ela não conhecesse o outro depois? Ia ficar sem casar?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cabide Amarrado Num Barbante

Havia um menino, e havia um cabide amarrado num barbante. Era uma noite particularmente fria, e numa calçada qualquer igual a tantas outras calçadas, o menino fazia de dois objetos cotidianos sua distração. À 1ª vista me pareceu algo como um cabide de plástico, amarrado na ponta de um cordão com cerca de um metro de comprimento, que ele balançava para lá e para cá, pra lá e pra cá como um pêndulo. Isso foi o que eu pensei ao ver a cena. Afinal, que brinquedo era aquele?

domingo, 26 de junho de 2011

Porcelana

      Sempre paciente, sempre inteligente, sempre sorridente. Ela só acordava em manhãs de sol, e dava bom dia aos passarinhos. Sua pele era cadavericamente branca, seu cabelo longo e artificialmente loiro. Uma franja reta cobria sua testa e realçava o fino nariz e o batom vermelho nos lábios.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Rumo ao Infinito


Ao fechar os olhos, tudo o que vejo são pedaços de alma. Sozinha, tentando esquecer do que já não lembro mais... Abro os olhos, e estou a anos-luz de onde estava no segundo anterior. Não reconheço mais nada, a não ser o vento gelado que sopra com força, me trazendo vida e histórias: o que você me conta, vento amigo?

sábado, 7 de maio de 2011

Cuidado

Enquanto as horas passam, ela dorme. Mais uma vez não verá a noite se transformando em madrugada, as ruas emudecendo, a cidade se iluminando com luzes que não podem ser vistas sob o Sol. Ela nunca vê, mas isso também nunca lhe fez falta. Nunca a atrapalhou na execução de suas tarefas diárias, que não são poucas: acordar, cuidar da casa, cuidar da cria, cuidar-se.